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6história da fotografia

6.1 - Antecedentes da fotografia      6.2 - A fotografia    6.3 - A evolução da fotografia a cores     6.4 - A evolução dos aparelhos fotográficos     6.5 - Cronologia histórica 





Origens e evolução histórica da fotografia
6.2. A fotografia (resumida)


   
    No início do séc. XIX, a burguesia culta de Inglaterra e França interessou-se pelas aplicações práticas das novas descobertas científicas. Nesta altura, em locais diferentes e sem terem conhecimento uns dos outros, foram muitos os investigadores que procuravam o método de obter fotografias. Um dos mais interessados nessas pesquisas, foi o litógrafo e inventor francês Nicéphore Niépce, que com o seu irmão Claude já tinha hf-fig29aconseguido em 1816 realizar uma imagem em câmara escura
(à esq. câmara de Niépce) utilizando papel sensibilizado com cloreto de prata. Mas os tons ficavam invertidos e as suas buscas para sensibilizar provas positivas só resultaram em 1826 quando Nicéphore Niépce usou uma substância à base de verniz de asfalto (betume da judeia) que aplicada sobre vidro, endurecia e associada a uma mistura de óleos fixava a imagem. Em 1827 Niepce expôs uma placa de estanho coberta de betume da judeia na câmara escura e obteve, depois de uma exposição de oito horas, uma imagem de um pombal (fig. 29), que era a vista da janela da sua sala de trabalho.



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fig. 29 - N. Niépce - Vista da janela em Gras - 1827


Mas o sistema heliográfico ainda não era o adequado para a fotografia pois não reduzia a duração da exposição necessária à obtenção de imagens. Em 1827 Niépce associa-se a Louis Daguerre e os dois prosseguiram as suas investigações em comum.
    Depois da morte de Niépce em 1833, Daguerre continuou as suas experiências em Paris, com chapas revestidas a prata e sensibilizadas com iodeto de prata, abandonando definitivamente o betume. Em 1835 descobriu que o vapor de mercúrio revelava as imagens, o que permitia reduzir radicalmente a duração da exposição. Mas faltava saber como parar a acção da luz sobre a prata, o que provocava o escurecimento da imagem até ao seu desaparecimento. Em 1837 Daguerre descobriu um processo para interromper a acção da luz, com um banho de cloreto de sódio (sal vulgar). Data desse ano aquela que é considerada a primeira fotografia baptizada de daguerreótipo (fig. 30).



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fig. 30 - Daguerre - Natureza morta - 1837



    Os primeiros daguerreótipos eram de má qualidade pois eram facilmente estragados pelos dedos e pelas variações de temperatura e humidade. A imagem tinha pouco contraste tonal, não se prestava à multiplicação e o tempo de exposição era longo, variando entre quinze segundos e trinta minutos.
hf20aA sua famosa fotografia "Paris Boulevard" de 1839, (fig. 31)  mostra uma rua de Paris que parece deserta. Esta sensação deve-se à sua longa exposição (cerca de 20 minutos), o que fez que tudo o que se movesse não ficasse registado na imagem. Vê-se uma única pessoa, com um pé pousado num fontanário, que era um amigo do fotógrafo, que permaneceu imóvel durante o tempo da exposição. Pensa-se que será a primeira pessoa a ser "fotografada".
(à esq. câmara de Daguerre)



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fig. 31 - Daguerre - Paris Boulevard - 1839



    Entretanto, em 1835 o sábio e matemático inglês William Fox Talbot tinha conseguido obter o que pode ser considerado o primeiro negativo da história da fotografia, denominado Calotipo (fig. 32). Este foi obtido expondo papel sensibilizado, durante cerca de dez minutos, à luz directa do sol, num pequeno aparelho de tomada de vistas (antecedente da câmara fotográfica) com pequena distância focal. Para corrigir a inversão inicial das imagens obtidas, Talbot colocou outra folha de papel sensibilizado com prata sobre a imagem negativa (parafinada para ficar transparente) e expôs as duas directamente à luz, ficando a segunda folha com a imagem positivada. Este processo usa-se ainda hoje para positivar os negativos produzidos em papel realizados com a pin-hole.



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fig. 32 - Fox Talbot - Janela de Lacock Abbey - 1835


A partir desta altura a evolução foi enorme. Foi aumentada a sensibilidade das chapas, recorrendo ao brometo de prata como acelerador e a posição invertida da imagem foi corrigida acrescentando prismas à objectiva.
Em 1851 Frederick Scott Archer (escultor inglês) publicou um artigo sobre as vantagens da utilização do colódio húmido, que se tornou extremamente popular na fotografia aplicado em positivos de vidro, chamados Ambrotypes, na sua versão Americana, que James Ambrose Cutting, patenteou em 1854.
Nas grandes viagens, os retratistas como Julia M.Cameron, Nadar e outros, todos usaram o colódio húmido (depois colódio seco) até Richard Maddox ter inventado as placas de gelatina secas.
    Em 1871 o tempo necessário para registar imagens fotográfica foi reduzido com a introdução de placas de brometo de gelatina conserváveis (gelatina seca), pelo médico e microscopista inglês Richard Leach Maddox (imagem à direita). Esta invenção foi de grande importância para a fotografia e foi nos anos seguintes aperfeiçoada por John Burgess, Richard Kennett e por Charles Harper Bennet que conseguiram fabricar placas secas mais leves e de utilização mais cómoda
(imagem à direita). Estas começaram a ser fabricadas por diversas firmas na Europa e nos Estados Unidos a partir de 1878.
    Abria-se assim uma nova época para a fotografia. Na origem o suporte era vidro coberto com uma emulsão de brometo de prata colocada sobre gelatina especialmente preparada. Em 1883 o vidro, frágil e de manuseio difícil, foi substituído pelo celulóide (o que se pode considerar como a primeira película) e fabricou-se este material em folhas standartizadas com uma espessura de cerca de um quarto de milímetro. E assim chegou-se, em finais do séc. XIX, com a contribuição de muitos investigadores e inventores, à fotografia sobre película em rolos de papel, substituível mesmo à luz do dia, fabricada e vendida a partir de 1888 pela Eastman Company de Nova Iorque.




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fig. 33 - Kodak 1888 (Réplica de 1988)




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Fox Talbot - 1838









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O. Edinburgh - Calotipo - 1838









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Felix Nadar - Sarah Bernhardt - 1862









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Julia M. Cameron - Divine love - 1865








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R. L. Maddox - c.  1871











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C. H. Bennet - Placa seca - 1882












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Heinrich Tonnies - Operários - 1881


História da Fotografia - António Carvalhal 2006 ©

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