6história da fotografia

6.1 - Antecedentes da fotografia      6.2 - A fotografia    6.3 - A evolução da fotografia a cores     6.4 - A evolução dos aparelhos fotográficos     6.5 - Cronologia histórica 





Origens e evolução histórica da fotografia
6.3. A evolução da fotografia a cores


   
    Um dos "problemas" iniciais da fotografia (a preto e branco) era a sua sensibilidade às cores, ou seja, o modo como a cor do tema a fotografar era "descodificado" na escala que vai do branco ao preto passando pela gama de cinzento.
Desde cerca de 1840 que existia a preocupação em melhorar a sensibilidade às cores dos filmes a preto e branco. Em 1873 Hermann W. Vogel, foto-químico alemão, descobriu do processo de sensibilizar o brometo de prata às radiações verdes e amarelas e em 1884, também às cor de laranja e vermelhas. Este processo, denominado sensibilização óptica, deu origem em 1873 às primeiras placas ortocromáticas (sensíveis a todas as radiações, excepto ao vermelho e hipersensíveis à radiação azul).
Ficaram assim lançadas as bases para a realização da fotografia a cores.




hf-33

fig. 34 - James Clerk Maxwell - 1861. Esta é considerada a primeira
fotografia a cores. Na realidade são 3 fotografias, cada uma realizada
com um filtro colorido diferente. (Fonte: Science_&_Society_Picture_Library)


 
    Em 1869 Louis Ducos du Hauron editou um livro chamado "As cores em Fotografia", em que teorizava que a partir da teoria da síntese aditiva das cores se poderia chegar à fotografia colorida. Este processo seria constituído por uma trama de finas linhas de cores primárias que separadas correctamente das complementares, originariam todas as cores da natureza. No entanto, até à invenção do filme pancromático (sensível a todas as cores) no início do séc. XX, as placas utilizadas nessas experiências não eram sensíveis a toda a banda do espectro de radiação, pelo que as tentativas não tiveram sucesso.




hf-34-Ducusdh

fig. 35 - Ducus du Hauron - 1872


    Em 1894 o irlandês John Joly realizou uma trama semelhante à de Ducos du Hauron, mas sobre uma placa de vidro coberta de gelatina. A falta de sensibilidade das placas utilizadas ainda não permitiu fotografias com grande definição.
    O primeiro material a cores comercialmente realizável fundado neste princípio, uma placa de cores denominada autochrome, foi inventado em França pelos irmãos Lumiére ("inventores" do cinematógrafo). As placas autochrome  em vidro apresentavam uma trama selectiva composta por minúsculos grãos de amido de batata com as três cores primárias, coberta com uma camada muito fina de pó negro para preencher os interstícios que pudessem deixar passar a luz. Sobre esta trama, era colocada uma camada de emulsão pancromática de brometo de prata. O resultado era um positivo transparente que teve sucesso imediato devido à melhor sensibilidade à cor e à sua relativa facilidade de revelação.
    Apesar destes melhoramentos, as pesquisas de outros processos coloridos continuaram, pois a reprodução da cor ainda era pouco natural.



hf-36-lumiere

fig. 36 - Louis Lumiére - 1907



    As teorias de Ducos du Hauron deram assim origem a processos de subtracção de cores. As experiências baseadas nesta teoria levaram à construção de um aparelho que obtivesse três negativos a cores, assim como ao melhoramento dos processos de sobreposição de três positivos complementares. Frederick Ives contribuiu de um modo importante para estas experiências, com a invenção de uma máquina Tripak  que foi comercializada em 1914 com o nome de Hicro Universal.


hf37-tripak

fig. 37 - Frederick Ives - 1892 - Câmara Tripak

   

Os desenvolvimentos seguintes empregaram produtos à base de gelatina e carvão.
Em 1935 a Eastman-Kodak lança o Kodachrome, que foi o primeiro filme Tripak comercializado, primeiro como película para cinema, em 1938 sob a forma de filme plano (diapositivo) e em 1941 em filme negativo Kodacolor.
Em 1946 a mesma Eastman-Kodak comercializa o Ektachrome, filme a cores cuja particularidade era que podia ser revelado por qualquer pessoa em câmara escura.




hf38-kodacrhome


fig. 38 - Kodachrome - Original 1936



Actualmente os filmes a cores são oito a dezasseis vezes mais rápidos que os das primeiras versões, a gama tonal é completa, as sensibilidades muito variáveis, existindo hf-ac-98antaspelículas desde muito lentas a rapidíssimas, existem para  todos os formatos (35 mm, médio e grande formato) e o tempo da sua revelação não se mede em horas, mas em minutos.
Com a vulgarização da fotografia digital, cuja principal vantagem é o "imediatismo" (fotografar/visualizar/imprimir) os filmes a cores estão a usar-se cada vez menos, mas a sua qualidade ainda é muito superior à da imagem digital, notando-se especialmente nas ampliações, onde a imagem digital (ainda) perde muita qualidade.

fig. 39 - A.C. - Antas, Porto - 1999


hf-autoc1907

Autochrome - 1907








hf-H_irving

Henry Irving - 1907








hg_fives-girl

Frederick Ives - (sem data)








hf-FFontana

Franco Fontana - Paisagem - 1978







hf_6-3-JMey

Joel Meyerowitz - Porche, Provincetown - 1977











hf-6-3-nan goldin

Nan Goldin - Cookie at Tin Pan Alley, New York City - 1983




História da Fotografia - António Carvalhal 2006 ©

1 - Luz/cor .2 - Ponto de vista, enquadramento e composição .3 - Óptica .4 - Relação câmara fotográfica, olho e cérebro .5 - Materiais fotosensíveis .6 - Origens e evolução histórica da fotografia
6.1 - Antecedentes da fotografia  .6.2 - A fotografia  .6.3 - A evolução da fotografia a cores   .6.4 - A evolução dos aparelhos fotográficos  .6.5 - Cronologia histórica   .7 - Bibliografia e links



voltar  6.2 - a fotografia....................
subir

  6.4- aparelhos fotográficos
avançar